A tecnologia como aliada: telemedicina como o futuro dos processos e exames na minha clínica

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A tecnologia como aliada: a telemedicina como parte dos processos e exames na minha clínica.

Uma boa definição para telemedicina é “a utilização, de forma integrada, dos avanços da tecnologia da informação e das telecomunicações a serviço das diversas demandas da comunidade médica, seja na melhoria dos serviços e resultados ou na otimização do tráfego de informações relevantes”.

Outras definições nessa linha são aceitáveis. O fato é que a tecnologia vem sendo uma valorosa aliada dos profissionais de saúde ao longo do tempo. Não chega a ser uma exclusividade, muito pelo contrário. A tecnologia está em todos os segmentos econômicos, presente em quase todas as demandas da sociedade. O desafio para a comunidade médica é avançar na utilização das tecnologias, abrindo novas frentes, como, por exemplo, a gestão das empresas médicas, do consultório particular às clínicas, na melhoria do atendimento.

É esse movimento que vem se intensificando. A comunidade médica acordou para a necessidade de aumentar o escopo. Há muito que se pode fazer com as tecnologias existentes pela prevenção, pela disseminação do conhecimento e pela melhora no atendimento e na qualidade de vida das pessoas.

A telemedicina exerce a atribuição, dentro das demandas médicas, de otimizar atividades-chave, que possam acontecer de um modo mais ágil, possibilitando assim que mais pessoas possam ser atendidas e que haja uma menor ocupação das unidades médicas, melhorando os atendimentos mais complicados, minimizando os riscos de infecções hospitalares, universalizando conhecimento e agilizando soluções para os pacientes e para os próprios médicos.

Continue lendo e entenda como a telemedicina se desenvolveu.

A evolução tecnológica acelerada das últimas décadas leva o senso comum à percepção de que elementos como o telefone remetem à Idade da Pedra. A verdade, porém, é que o telefone está na gênese da telemedicina e uma pequena imersão histórica pode ajudar os leigos a entenderem melhor o que é a telemedicina.

Basta imaginar uma cena em que uma pessoa é acometida de um mal súbito em um local onde não há médicos e no ao qual o atendimento levaria cerca de uma hora para chegar. Alguém entra em contato com o hospital e um médico assume o telefone para tentar prestar algum atendimento a essa pessoa. Através das informações, ele consegue diagnosticar o mal e orienta o atendimento, podendo até mesmo estar, naquele momento, salvando uma vida. Essa é uma situação do uso da tecnologia das telecomunicações.

Suponha, porém, que o médico tem à sua frente um sistema através do qual ele insere os sintomas e recebe um relatório, que ajuda a identificar o mal. Trata-se ou não de telemedicina? Tecnologia da informação mais telecomunicações a serviço de uma demanda médica.

Uma experiência realizada em Harvard, no ano de 1967, é considerada uma espécie de marco zero da telemedicina. Na ocasião, o aeroporto de Boston foi ligado ao Hospital Geral de Massachusetts, de modo que esse último pudesse atender a qualquer emergência ocorrida no aeroporto a partir de suas próprias instalações.

Desde então, a tecnologia avançou, a internet se popularizou e a tecnologia da informação criou uma nova realidade, um novo dinamismo para as relações humanas e profissionais. Hoje, a telemedicina faz parte do dia a dia das organizações médicas, de forma mais ou menos sistemática, dependendo do país. Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Inglaterra, Japão, Singapura, Coreia e Austrália são países onde a telemedicina evoluiu e se tornou indispensável.

A telemedicina no Brasil

Há quem considere que o início da medicina no Brasil foi em 1985, com a inclusão da disciplina de “Informática Médica” na Faculdade de Medicina da USP. Teria sido a primeira iniciativa no sentido de reconhecer uma oportunidade real para a melhoria dos processos médicos.

Até o final do século passado, o avanço da telemedicina no país esbarrou no desinteresse governamental por pesquisa e desenvolvimento tecnológico. A partir da década passada, teve início o intercâmbio, através de teleconferências, com médicos do exterior. Já em 1995, porém, o InCor do Hospital das Clínicas já fazia diagnósticos de eletrocardiografias por fax. Em 1999, o Hospital Sírio Libanês iniciou um projeto para solucionar casos complicados, que usava teleconferências com o exterior.

Longe de estar no mesmo patamar dos países citados no parágrafo anterior, o Brasil despertou de vez, a partir da ação governamental, para os benefícios da telemedicina. Em 2005, o país foi sede do Décimo Congresso da International Society for Telemedicine and Health. No mesmo ano, o Brasil realizou o Segundo Congresso do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde. O governo formou comitês a partir dos órgãos governamentais de saúde, criou a RUTE (Universidade de Telemedicina), injetou insumos financeiros e passou a fomentar o crescimento da telemedicina.

Benefícios da telemedicina para o paciente

No centro de tudo, vale ressaltar, está o ser humano. É o verdadeiro, na verdade, o único beneficiário de todos esses avanços.

Para se ter uma ideia da aplicação da telemedicina, o atendimento médico na Groenlândia é totalmente dependente dessa modalidade de assistência.

O exemplo é ótimo para definir o benefício central da telemedicina, que a redução da distância entre o paciente e o atendimento médico. A telemedicina reduz distâncias e melhora as condições de atendimento. Consequentemente, aumenta a qualidade de vida da população.

Com o uso da telemedicina, o paciente pode receber orientação médica sem deslocamento, ser monitorado e ter acelerado o processo de atendimento, diagnóstico e tratamento, através do tráfego via internet de resultados de exames e laudos médicos. Todo esse processo é experimentado, seguro e legalizado. Regulada pela Associação Americana de Telemedicina, é reconhecida pelos conselhos de medicina e pela legislação brasileira.

Além disso, o paciente pode ter acesso a um atendimento de melhor qualidade em locais distantes dos grandes centros, a partir do momento que a comunidade médica está integrada através da telemedicina, em uma dinâmica de cooperação permanente, só possível graças aos novos recursos tecnológicos.

A telemedicina na sua clínica

Deve quase ser repetido como um mantra que a telemedicina é legalizada e praticada sistematicamente em vários países, inclusive no Brasil.

A telemedicina não substituirá a medicina tradicional. É bem verdade que pode reduzir o contato do paciente com o médico, mas isso talvez só ocorra se não houver uma compreensão do que a tecnologia da comunicação pode oferecer. Ao mesmo tempo que pode reduzir o volume de atendimento presencial, pode intensificar a relação entre médico e paciente em razão da facilidade de se fazer contato a qualquer momento, de qualquer lugar.

Tudo é uma questão de ponto de vista. A realidade, todavia, é que adotando a telemedicina, a sua clínica poderá atender mais pacientes em menos tempo. Imagine que um paciente da clínica sente um desconforto e entra em contato pelo teleatendimento. O médico responsável identifica o paciente por meio de um sistema que lhe fornece o prontuário médico e todo o histórico desse paciente.

Com base nessas informações, o médico pode identificar se o paciente está se submetendo a algum tratamento, se há necessidade de uma consulta presencial, se há necessidade de novos exames ou simplesmente recomendar que o paciente retome o medicamento.

Se fosse há um tempo atrás que o médico precisasse consultar um prontuário de papel, sem ter nenhuma informação estruturada do histórico do paciente, tendo que procurar as informações e segurar o telefone ao mesmo tempo, seria algo, se não inviável, pouco eficaz.

Imagine, então que a partir das informações passadas pelo paciente, o médico decida solicitar alguns exames e possa encaminhar a solicitação via internet para o cliente, sendo que já tem essa solicitação padronizada em seu software de gestão.

No ato seguinte, o paciente fez os exames e o médico recebe pela internet, com rapidez e sem o paciente precisar ir à clínica para ocupar o recepcionista. O médico pode, então, elaborar o laudo e tudo isso feito à frente do computador.

Imagine ainda o que é possível fazer tendo todos os profissionais da clínica integrados 24 horas, com a possibilidade de fazer teleconferências a qualquer momento, como todos tendo acesso à mesma base de dados.

Desenvolvimento profissional, satisfação do cliente e lucro

A telemedicina está dividida, basicamente, em três frentes: a teleassistência e a emissão de laudos à distância foram abordados nos tópicos anteriores.

O terceiro é a teleducação. Perceber o valor dessa oportunidade requer visão estratégica. Começa por integrar a sua clínica a outras organizações médicas, possibilitando a troca permanente de informações e o crescimento contínuo das equipes. Fora, claro, a assistência remota.

Imagine também toda a sua equipe participando de um seminário por teleconferência, sem deslocamento, com todos podendo compartilhar impressões. É informação viva e conhecimento sendo compartilhado e disseminado.

Em outras palavras, é bom estar atento ao que a telemedicina pode fazer para que você tenha, de forma prática e com economia de tempo e até de recursos financeiros, uma equipe em permanente desenvolvimento, aumentando, na outra ponta, a percepção de qualidade dos clientes e uma propaganda positiva.

Observa-se como a telemedicina impacta de forma positiva dois públicos fundamentais para a engrenagem humana. De um lado, os médicos se sentem valorizados, estimulados por um ambiente de desenvolvimento profissional e permuta de conhecimento e ainda podem atender melhor os pacientes. Do mesmo lado dessa balança, estão os clientes, os pacientes, aqueles que estão no centro de todo esse esforço. Tudo isso aponta para uma mesma direção, que é a lucratividade do negócio. Colaboradores satisfeitos e clientes satisfeitos é igual à proximidade do sucesso.