Código Internacional de Doenças – A Importância de um código universal para classificação de enfermidades

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Classificação Internacional de Doenças – A importância de um código universal para a classificação de enfermidades

Classificação reúne e divide todas as doenças conhecidas em categorias, facilitando trabalho médico

Publicada e editada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados Com a Saúde, normalmente designada pela sigla CID, reúne doenças e seus respectivos sintomas. Além disso, traz suspeitas, sinais, anormalidades, circunstâncias sociais e outras características das enfermidades conhecidas pela medicina. Os códigos dos estados de saúde possuem até 6 caracteres e reúnem doenças de origens e detalhes semelhantes.

O código é utilizado mundialmente, e é usado para a formulação de estatísticas, sistemas automáticos de suporte em medicina, reembolsos e outras ações corriqueiras ou não. A classificação é importante, pois sistematiza de forma única para todos os profissionais a apresentação, processamento, detalhamento e comparação das enfermidades a nível mundial. Atualmente, encontra-se em sua décima edição (CID-10) e é atualizada pela OMS em uma periodicidade de um ano (mudanças menores) e três anos (mudanças de maior relevância).

História e relevância do CID-10 para a medicina contemporânea

Quando a primeira edição do código foi construída, em 1893, ela era chamada de “Lista Internacional das Causas de Morte”, e foi adotada à época pelo Instituto Internacional de Estatísticas. O CID-10 em sua forma contemporânea data da década de 1940, começou a se consolidar e ser utilizada por quase todos os médicos. Outros usos para a Classificação envolvem compartilhar e comparar informações de saúde entre hospitais regiões e países, além de tornar possível a comparação de dados de um mesmo local ao longo de diferentes períodos de tempo.

Na internet é possível encontrar vários mecanismos de pesquisa que disponibilizam a lista completa e atualizada do CID 10. Além de plataformas online, existem softwares construídos por instituições de saúde ou terceiros. O próprio Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS) possui seu próprio programa do CID-10. Ele está disponível para download no site do Data Sus.

Para médicos que utilizavam o CID-9 e ainda não se atualizaram, é hora de fazer o update. Embora possuam sistemas e organizações análogas, o CID-10 possui diferenças estruturais substanciais que não permitem a conversão de uma classificação para a outra com precisão. Portanto, fique atento a softwares e às redes atrás das atualizações divulgadas pela OMS. O CID-10, em sua história, já foi traduzido para 43 idiomas.

IMPORTANTE: Segundo o site em inglês da Organização Mundial da Saúde (http://www.who.int/classifications/icd/en), o ICD-11 já está em processo de finalização e deve ser lançado ainda em 2017. Portanto, já prepare para se adaptar à nova classificação estabelecida pela instituição das Nações Unidas.

A classificação do CID-10 é organizada em capítulos, os quais contêm letras e números, sempre associados em ordem crescente para facilitar sua pesquisa e acesso. O CID-10 possui 22 capítulos, em um alfabeto completo de A a Z que se associa a números de 0 a 99. Cada código possui uma letra e duas dezenas, como você poderá acompanhar a seguir.

Doenças de órgãos e sistemas

Capítulo 1 – Códigos do A00 ao B99 – contém doenças parasitárias e infecciosas, como cólera, febres, amebíases, tuberculose, doenças bacterianas, hepatites, micoses, esquistossomoses, shigueloses, botulismos, disenterias, giardíase, balantidíase, tricomoníases e diarreias causadas por flagelos ou protozoários e outras.

Capítulo 2 – Códigos do C00 ao D48 – o capítulos dos tumores, ou neoplasias. Inclui tumores malignos nas diversas áreas do corpo, tumores in situ e tumores benignos em geral. Coriocarcinomas, linfomas, doenças de Hodkins, linfossarcoma, doenças de cadeia pesada alfa e gama, leucemias, melanomas e angiomas.

Capítulo 3 – Códigos do D50 ao D89 – Doenças do sangue e doenças imunitárias, incluindo também transtornos hematopoéticos.

Capítulo 4 – Códigos do E00 ao E90 – Doenças metabólicas e endócrinas, incluindo desnutrição, transtornos do pâncreas e outras glândulas como a adrenal, hipotiroidismo com bócio difuso ou sem bócio, hipertiroidismo, coma mixedematoso, tiroidites, diabetes e outros transtornos glandulares.

Capítulo 5 – Códigos do F00 ao F99 – Doenças mentais e transtornos de comportamento. Inclui transtornos afetivos, de humor, esquizofrenia, retardo mental, transtornos neuróticos e transtornos emocionais, demências, síndromes amnésicas, dependências, abstinências, delírios e transtornos psicóticos, hipomania, agorafobia e fobias sociais.

Capítulo 6 – Códigos do G00 ao G99 – Doenças do sistema nervoso. Inclui transtornos degenerativos, sistêmicos, inflamatórios e extrapiramidais, além de paralisia cerebral e polineuropatia, encefalite, paraplegia, flebites e ataxias cerebrais ou de outras partes do sistema nervoso, atrofias musculares e escleroses de diversos tipos e localizações, mal de Parkinson e outros

Capítulo 7 – Códigos do H00 ao H59 – Doenças do olho – conjuntivites, cataratas, glaucoma, transtornos da pálpebra, íris, corpo ciliar, cristalino e outras doenças.

Capítulo 8 – Códigos do H60 ao H95 – Doenças do ouvido e apófise mastoide. Incluem otite externa e outros transtornos da parte exterior

Capítulo 9 – Códigos do I00 ao I99 – Doenças do aparelho circulatório. Incluem febres reumáticas, transtornos cardíacos crônicos, hipertensão, doenças do coração e doenças cerebrovasculares.

Capítulo 10 – Códigos do J00 ao J99 – Doenças respiratórias. Dentre elas, infecções agudas do aparelho, sinusite, faringite, rinite, gripe, doenças do pulmão, transtornos da pleura, doenças que afetam o interstício e outras.

Capítulo 11 – Códigos do K00 ao K93 – Doenças do aparelho digestivo. São elas: Doenças da cavidade oral, cáries, doença dos dentes e de sua erupção, transtornos relacionados a dentes internos ou impactados além de outros distúrbios de tecidos duros.

Doenças em tecidos e gravidez

Capítulo 12 – Códigos do L00 ao L99 – Doenças do tecido subcutâneo e da pele. Incluem dermatites, eczemas, afecções bolhosas, urticárias, eritremas, celulite, piodermite e outras.

Capítulo 13 – Códigos do M00 ao M99 – Doenças do tecido conjuntivo e do osteomuscular. Compreende artropatias, artroses e outros transtornos articulares. Dorsopatias, Condropatias, gota, artrites, sinovite, hidrartrose, dermatoartrite, goxartrose, hallux, pé-chato, problemas nos meniscos e joelho flutuante, protusão do acetábulo e outras deformidades neste sistema.

Capítulo 14 – Código N00 ao N99 – Transtornos no aparelho geniturinário. Engloba distúrbios glomerulares, calculose e insuficiência renal, doenças da mama e do aparelho urinário, hidronefrose, nefropatia, abcesso renal, cálculos no uréter, bexiga e problemas genitais e outras doenças.

Capítulo 15 – Código O00 ao O99 – Gravidez, puerpério e parto. Incluindo gravidez interrompida, parto e suas complicações, afecções obstetrícias, edemas, molas hidatiformes, hipertensão no parto, pré-eclâmpsias, hiperêmeses, infecções e tromboses, achados de quaisquer espécies, incluindo cistos e outros, complicações pulmonares e transtornos maternos.

Capítulo 16 – Código P00 ao P96 – Transtornos originados no período perinatal. Fatores maternos afetando fetos, traumatismos de parto, infecções, hemorragias, doenças de tegumento, fraturas, lesões e necroses, asfixia, hipóxia, pneumonias, displasias hisquemias septicemias, perda sanguínea, kernicterus e icterícia, além de outros problemas do período perinatal.

Capítulo 17 – Códigos do Q00 ao Q99 – deformidades e anomalias cromossômicas e malformações congênitas. Contempla as malformações e deformidades em todo o corpo da criança, fenda labial e fenda palatina. Concentra ainda outras malformações em outras partes do corpo.

Capítulo 18 – Códigos do R00 ao R99 – Sinais encontrados em exames clínicos ou laboratoriais, sem classificação em outro capítulo. Um capítulo um bocado indefinido, compreende sintomas sem diagnóstico e resultados estranhos obtidos por exames clínicos ou de laboratório

Fatores externos

Capítulo 19 – Códigos do S00 ao T98 – Envenenamento, lesões e outros problemas criados por fatores externos. Compreende intoxicações, queimaduras, envenenamentos, lesões corporais em toda a extensão do corpo, traumatismos e complicações tóxicas causadas por diversas substâncias alheias ao paciente.

Capítulo 20 – Códigos do V01 ao X59 – Causas externas de mortes e morbidade. Concentra acidentes de transporte e outros tipos de incidentes, como quedas, afogamentos, esmagamentos, exposições a forças mecânicas ou radioativas, agressões, ferimentos e mortes de guerra, ferimentos provocados intencionalmente a si próprio e outros.

Capítulo 21 – Códigos do Z00 ao Z99 – Variáveis que influenciam o estado de saúde e o acesso aos serviços de saúde. Engloba a relação dos pacientes com os serviços de saúde e as dificuldades que podem vir a encontrar para acessá-los. Pessoas com potenciais riscos, exames, doenças potencialmente transmissíveis e outros distúrbios que podem prejudicar a si mesmo ou outros pacientes.

Capítulo 22 – Códigos do U00 ao U99 – Códigos especiais. Mais atualizados, compreendem doenças causadas pelo Zika Vírus, agentes resistentes à vancomicina e à penicilina e outros antibióticos, SARS (doenças respiratórias agudas graves) e outros indefinidos.

Esta é apenas uma esquematização resumida das enfermidades que são elencadas na Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Conhece todas? Possivelmente não, afinal, são milhares de transtornos, doenças e fatores, que nem sempre dizem respeito à sua especialidade profissional. Ainda assim, mantenha-se informado e tenha a classificação à disposição para saber das doenças conhecidas pela medicina em todo o mundo.

Se você faz parte do mundo acadêmico da medicina, nas universidades ou centros de pesquisa, também atente para a CID-10, principalmente na que está para sair neste ano. Ela ajuda a gerar estatísticas e indicadores que podem ajudar muito em novos projetos. Gostou deste texto? Acesse mais em nosso blog sobre medicina!