Os avanços da telemedicina no Brasil para médicos

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Os avanços da telemedicina e da telessaúde no Brasil

A telemedicina é um fenômeno recente, um dos muitos desdobramentos da evolução dos setores da tecnologia da informação e das telecomunicações, embalados na disseminação da telefonia móvel, da internet de banda larga e da evolução dos Enterprise Resource Planning (ERPs), cada vez dotados de recursos mais simples de usar e módulos de gestão mais completos e segmentados.

Na esfera global, a tecnologia deu os primeiros passos, assim reconhecidos, entre as décadas de 80 e 90 do século passado. No Brasil, iniciativas individuais aconteceram na década de 90, mas foi o interesse despertado no governo pelas oportunidades oferecidas pela telemedicina e a telessaúde ao serviço público que abriu uma frente de desenvolvimento da disciplina.

As primeiras experiências no Brasil e o papel do governo

As primeiras experiências efetivas de na área e com telessaúde no Brasil ocorreram a partir de 1994. Naquele ano, foi criada a Telecardio, cuja atividade consistia na realização de eletrocardiogramas à distância. No ano seguinte, foi a vez do InCor lançar um projeto de telemedicina, o ECG-FAX, através do qual os cardiologistas do hospital realizavam análise de eletrocardiogramas que eram recebidos por fax.

Ainda em 1996, foi a vez da Rede Sarah contribuir com uma iniciativa inovadora, voltada para a integração de sua rede de hospitais, através de um programa de videoconferência que unia, com a finalidade de compartilhar informações, toda a rede de hospitais do aparelho locomotor. No mesmo ano, o InCor criou o programa ECG-Home, cuja finalidade era monitorar pacientes em seus próprios domicílios. No ano seguinte, a Unicamp criou o primeiro hospital virtual brasileiro.

A telemedicina se tornou disciplina na faculdade de medicina da USP, ainda em 1997. O objetivo era pesquisar e desenvolver o uso estratégico das tecnologias em favor do aperfeiçoamento do sistema de saúde. No ano seguinte, foi criada a Rede Nacional de Informações em Saúde (RNIS). O InCor iniciou a prestação do serviço de ECG pela internet e o Instituto do Coração do Triângulo seguiu a iniciativa, criando seu próprio serviço de ECG à distância.

Em 1999, o Hospital Sírio-Libanês inaugurou um espaço para teleconferências e a UNIFESP iniciou o funcionamento do seu próprio laboratório de telemedicina, que funcionava dentro do centro de informática em saúde.

A telemedicina brasileira no Século XXI

As iniciativas do final do século passado estabeleceram bases práticas e conceituais para o desenvolvimento da telemedicina e da telessaúde no Brasil, contemplando as três frentes de avanço da disciplina: o atendimento à distância, a otimização do processo de emissão de laudos e a integração da comunidade médica, via compartilhamento do conhecimento.

Foi quando entraram em cena as ações governamentais, no sentido de fomento estrutural e financeiro ao desenvolvimento da disciplina. A telemedicina começou, também, a ganhar corpo do ponto de vista organizacional e institucional. Surgiram, ainda em 2002, a Associação Brasileira de Telemedicina e o Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde.

O incentivo à pesquisa do tema nas universidades por parte do Estado finalmente veio em 2005. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico reconheceu na telemedicina uma oportunidade estratégica real para a melhoria do sistema de saúde. Naquele ano, a telemedicina fez parte do Edital do Programa “Institutos do Milênio”. O projeto “Estação Digital Médica” uniu nove instituições com a finalidade de consolidar e expandir a disciplina no país.

No início de 2006, veio o que é considerado o segundo marco, que foi o Projeto de Telemática e Telemedicina, fomentado pelo Ministério da Saúde. O aspecto principal dessa iniciativa é a aplicação dos resultados do projeto “Estação Digital Médica”.

Desde então, o Estado avançou no apoio à telemedicina. Tiveram lugar iniciativas como o Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RUTE) e a Rede nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), voltado para a criação de estruturas de videoconferência em hospitais universitários, possibilitando o desenvolvimento dos alunos na disciplina e integrando todos os hospitais universitários do país.

Há marcos importantes no desenvolvimento da telemedicina, que abriram caminho para que o seu valor fosse reconhecido no país. A realização pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Hospital John Hopkins, de Baltimore, nos Estados Unidos, da primeira telecirurgia serviu para derrubar as barreiras.

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