Para além dos estudos: o que torna um dentista um bom profissional

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No dia 25 de outubro é comemorado o dia do dentista, esse profissional que zela pela saúde do primeiro e melhor “cartão de apresentação” que uma pessoa pode distribuir ao chegar em qualquer lugar: o sorriso.

Mas a importância da saúde bucal vai muito além de uma questão estética ou psicossocial. O descuido com dentes e gengivas pode causar doenças crônicas, chegando a afetar até órgãos como pulmões e coração.

De acordo com a revista norte-americana Money/U.S. News, a carreira de dentista foi considerada uma das profissões que apresentam melhores perspectivas de evolução até 2022 (lembre-se de comemorar isso no próximo dia do dentista).

Duas profissões que inspiram a Odontologia são a Psicologia e a Engenharia. A primeira porque o dentista precisa transmitir muita segurança e tranquilidade aos seus pacientes, já que a maioria, como é muito comum, fica arrepiada só de imaginar o som de uma broca elétrica, adiando ao máximo a próxima ida ao consultório. Quanto a Engenharia, é só lembrar dos cálculos empregados frequentemente para se reconstruir canais e dentes, modelar, talhar e drenar.

Enfim, muito antes que passassem a comemorar o dia do dentista, ele sempre foi considerado um profissional liberal multifacetado.

Porém, em meio à rotina agitada e às novas tecnologias que conectam o mundo via internet, o dentista também passou a atuar em outras áreas, às vezes, sem se dar conta disso.

O profissional do século XXI

Começando pelas clínicas e consultórios, o que faz um dentista se destacar atualmente são certas habilidades empresariais, contábeis e de controle financeiro, uma vez que ele terá de formar e fidelizar uma ampla carteira de clientes. Sempre que possível, pesquise sobre modelos de gestão e administração de negócios, além de adotar ferramentas eficazes de gerenciamento, como os softwares de gestão específicos para a área de saúde.

Mesmo que seja um excelente profissional, o negócio não avançará caso haja falhas graves de administração. Lembre-se de que a concorrência no mercado de trabalho cresce mais a cada dia. Você pode estar certo disso: todos os anos, novos colegas passarão a celebrar junto com você o dia do dentista.

Para abrir uma unidade odontológica, é preciso investir bastante, claro. Mas não se trata apenas de dinheiro (e muito!) para adquirir equipamentos de ponta. Também é preciso investir muito tempo estudando matérias consideradas da área de Humanas, como relações-públicas, propaganda e marketing. Será preciso oferecer um diferencial à sua clientela. Invista em divulgação constante, não apenas do consultório em si, mas também em campanhas de saúde bucal (especialmente no dia do dentista), atrelando, por exemplo, seu nome aos materiais informativos.

Antigamente, quando o número de profissionais era menor, ganhava-se mais com a Odontologia. Mas, com o aumento da demanda pelos cursos e especializações na área, essa realidade mudou completamente. Hoje, o mercado conta com muitos profissionais, principalmente nas capitais e regiões metropolitanas. Quase 20% dos profissionais de Odontologia do mundo estão no Brasil, de acordo com um dado divulgado em 2010, durante o 28º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, em razão das atividades ligadas ao dia do dentista.

Por mais modesto que seja o consultório, você terá sempre que contar com serviços de outros profissionais, tais como secretária, segurança, faxineira, dentre outros. Sendo assim, o dentista também terá que conhecer um pouco de recursos humanos para selecionar adequadamente, às vezes, num curto espaço de tempo, uma mão de obra competente e confiável.

Os desafios da carreira

O profissional dos novos tempos precisa se manter antenado e acompanhar as demandas e as flutuações do mercado. Um ponto pacífico, que até soa clichê, mas que nunca poderemos deixar de citar é a necessidade de atualização constante. Pois negligenciar esse aspecto (o que via de regra é comum, apesar de tantos considerá-lo óbvio) é ficar para trás. Há quem apenas acompanhe a programação de eventos ligados às comemorações do dia do dentista. Você deve ir além! Envolva-se, no mínimo, uma vez por ano em um bom curso e/ou congresso de Odontologia (área que passa por avanços tecnológicos frequentes).

Manter-se a par das novidades e trocar experiências com o maior número de colegas possível ajudará, e muito, na tomada de decisões futuras, tanto para a carreira como em relação à administração dos negócios.

É bom se inteirar também sobre as matérias que, atualmente, as faculdades andam ministrando em seus cursos de formação, além das regras básicas de operação dos convênios odontológicos.

Por falar em convênios, apesar de serem uma boa alternativa no começo da carreira, é bom destacar que o trabalho majoritário com planos odontológicos não é vantajoso, pois eles pagam pouco e, por serem uma opção mais acessível a uma parcela maior da população, dificultam a atração da clientela particular.

Trabalhar em cidades menores pode ser uma alternativa viável para aqueles que sentem demais o peso da concorrência. Nessas localidades, há uma boa chance de ganhos maiores nos setores privado e social. Há também quem prefira prosseguir os estudos com mestrado e doutorado, com um foco maior na área acadêmica; ou ainda optar pelos concursos públicos.

Inclusive uma especialidade que vem ganhando espaço, ligada ao setor público, é a Odontologia com foco na saúde coletiva de determinados grupos da população. Nesse caso, o trabalho do profissional é direcionado ao planejamento e à organização de ações de saúde bucal, educação e controle de doenças, fornecendo subsídios a políticas públicas numa localidade específica.

A Odontogeriatria: um novo panorama

De acordo com estimativas baseadas em dados do IBGE, em 2050, a maior parcela da população brasileira será constituída por pessoas entre 50 e 60 anos. Em outras palavras, o Brasil está passando por um ciclo gradativo de envelhecimento.

Em termos históricos, esse processo tem sido relativamente rápido. Enquanto o número de crianças e jovens, entre os 10 e 19 anos, vem diminuindo em um ritmo constante a cada novo censo, a população acima de 60 anos cresce sistematicamente; e já representa mais de 13% do povo brasileiro.

Será esse um tema para debate nos próximos eventos que celebrarem o dia do dentista. O próximo desafio profissional de sua carreira talvez seja identificar as oportunidades desse novo nicho de mercado. As apostas são promissoras e os rendimentos também.

Mas é necessário estar preparado em duas frentes:

1. A frente técnica, digamos assim: você irá se deparar com materiais antigos (implantes, coroas, pontes, etc.) enxertados na boca do paciente há mais de três décadas, às vezes. É preciso, portanto, ter conhecimentos necessários para avaliar a substituição mais adequada desses materiais, pois serão muitas as restaurações e correções de próteses. Mais uma vez, aqui, valerá a regra de ouro de sempre: estudar e procurar aperfeiçoamento constante em cursos, seminários e congressos.

2. Lembra que citamos, lá no início, a Psicologia como uma área influente sobre a Odontologia? Pois bem, caso você passe a trabalhar, majoritariamente, com pessoas acima dos 60 anos, a sua capacidade de transmitir segurança, estabilidade e calma terá de ser redobrada.

Muito provavelmente, essa futura “nova” clientela terá vivido traumas de uma época em que as técnicas (e tecnologias) eram menos avançadas e, como consequência disso, mais “dolorosas”.

Por mais paradoxal que possa soar, a Odontogeriatria virá com força para renovar o mercado de trabalho. Quando for celebrar o próximo dia do dentista, não deixe de brindar as novas possibilidades trazidas pela chamada Terceira Idade.

Uma breve história: do “ano primeiro” ao “dia do dentista”

As origens remontam há muitas e muitas eras, muito antes do surgimento de uma data como o dia do dentista. Já foram encontrados indícios de intervenções cirúrgicas em mandíbulas que datam de 2.750 anos a.C..

Um cirurgião-dentista de Avignon, na França, chamado Guy de Chauliac, foi quem usou pela primeira vez a expressão “dentista”, já no século XIV da nossa era. O manuscrito mais antigo da área leva seu nome.

Até a chegada do século XVIII, os antepassados da profissão trabalhavam nas praças, nos mercados e em qualquer lugar onde houvesse aglomeração de pessoas. Eram conhecidos como “tiradentes”. Assim também foi chamado, aqui no Brasil, o inconfidente mineiro Joaquim José da Silva Xavier. Há quem associe, equivocadamente, as comemorações do dia do dentista à figura de Tiradentes.

Um século mais tarde, os profissionais da área passaram a ser lembrados no dia 3 de outubro, quando foi mundialmente instituído o dia do dentista. A data lembra o pioneirismo da cidade de Baltimore, nos Estados Unidos, que, no ano de 1840, foi responsável pela abertura da primeira classe de odontólogos da América.

Já no Brasil, o dia do dentista foi instituído pelo Decreto-Lei de nº 9.311, no dia 25 de outubro do ano de 1884. Na data, foram abertas, no Rio de Janeiro e na Bahia, as primeiras turmas de graduação em Odontologia.

Mas a oficialização do dia do dentista veio mesmo um pouco depois, por iniciativa do Conselho Federal de Odontologia, que passou a nomear a data como “Dia Nacional do Cirurgião-dentista”.

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