Guia médico do plano de saúde: como consultar a rede

Médico consulta informações sobre rede credenciada, coberturas e locais de atendimento de um plano de saúde.

O guia médico de um plano de saúde serve para consultar a rede assistencial vinculada àquele produto. É nele que o beneficiário pode verificar quais médicos, clínicas, laboratórios, hospitais e outros prestadores estão disponíveis para atendimento.

A consulta precisa ser feita pelo plano correto, porque uma mesma operadora pode comercializar produtos com redes diferentes. O guia não deve ser usado como tabela de honorários médicos: valores, reajustes e condições de pagamento pertencem à relação contratual entre operadora e prestador.

O que é o guia médico de um plano de saúde?

“Guia médico” é uma expressão comum para a ferramenta usada pelas operadoras para apresentar sua rede de prestadores. Na regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o conceito central é a rede assistencial.

A Resolução Normativa ANS nº 486/2022 determina que as operadoras disponibilizem em seus portais corporativos informações sobre a rede assistencial de seus planos.

Essas informações devem ser exibidas por plano de saúde e permanecer atualizadas.

Por que é importante consultar o plano correto?

Uma operadora pode ter vários planos com redes assistenciais diferentes.

Isso significa que um médico ou hospital vinculado a um produto não está necessariamente disponível em todos os demais planos daquela mesma operadora.

Antes de marcar o atendimento, confira:

  • o nome comercial do seu plano;
  • o número de registro do plano na ANS, quando disponível;
  • a especialidade ou serviço procurado;
  • a cidade e o endereço de atendimento;
  • se o prestador aparece vinculado especificamente ao seu plano.

A própria ANS orienta o consumidor a verificar a rede credenciada prevista para o produto contratado, além da segmentação e da abrangência geográfica. Essas informações fazem parte dos direitos e condições que devem ser observados pelo beneficiário.

Quais informações a operadora deve mostrar sobre o prestador?

A RN nº 486/2022 estabelece um conjunto mínimo de informações que deve estar disponível sobre os integrantes da rede assistencial.

Entre elas estão:

  • tipo de estabelecimento;
  • nome do profissional ou do estabelecimento;
  • razão social e CNPJ, quando se tratar de pessoa jurídica;
  • registro no respectivo conselho profissional, quando se tratar de pessoa natural;
  • especialidade ou serviço contratado;
  • UF, município, bairro, logradouro, número e CEP;
  • telefone com DDD;
  • site, quando houver;
  • nome comercial e registro dos planos que garantem o atendimento naquele prestador.

A consulta também deve permitir pesquisas combinadas ou isoladas pelos dados previstos na norma.

A rede assistencial precisa estar atualizada?

Sim.

A regulamentação determina que as operadoras mantenham os dados da rede assistencial atualizados em tempo real, sem prejuízo dos direitos contratuais dos beneficiários.

Além disso, a operadora não pode condicionar o acesso à rede apenas a pessoas que já são beneficiárias. As informações precisam estar disponíveis no portal corporativo.

O guia médico mostra o valor que a operadora paga ao médico?

Não como parte das informações mínimas da rede assistencial previstas pela ANS.

O valor de consultas e outros serviços pagos ao prestador faz parte da relação contratual entre médico, clínica ou outro estabelecimento e a operadora.

A ANS determina que essa relação seja formalizada por contrato escrito.

Entre os pontos que precisam ser tratados contratualmente estão valores dos serviços, critérios de reajuste, faturamento, pagamento e outras obrigações das partes.

Por isso, um médico que esteja avaliando trabalhar com determinada operadora não deve usar o guia de prestadores como substituto da proposta ou do contrato de credenciamento.

O guia mostra se o CRM do médico está regular?

O guia deve informar o número de registro no conselho profissional quando o prestador for uma pessoa natural.

Isso não significa, porém, que a presença do número no guia substitua uma consulta ao conselho profissional competente para verificar a situação atual do registro.

Se houver necessidade de confirmar a regularidade profissional de um médico, utilize o canal oficial do Conselho Regional de Medicina ou do Conselho Federal de Medicina.

Como consultar a rede do seu plano de saúde?

O caminho pode variar entre operadoras, mas a consulta costuma seguir uma sequência semelhante:

  1. acesse o portal ou aplicativo oficial da operadora;
  2. procure pela área de rede credenciada, rede assistencial, guia médico ou busca de prestadores;
  3. selecione o plano correto;
  4. informe especialidade, serviço, localização ou nome do prestador;
  5. confira se o estabelecimento ou profissional aparece vinculado ao seu produto;
  6. verifique endereço e telefone antes do deslocamento;
  7. quando necessário, confirme disponibilidade diretamente com o prestador ou com a operadora.

Uma consulta antiga salva em PDF, captura de tela ou lista impressa pode estar desatualizada. Prefira sempre o portal atual da operadora.

É possível consultar a rede sem ser beneficiário?

Sim. A RN nº 486/2022 veda que a operadora restrinja as informações de sua rede assistencial apenas aos beneficiários.

Isso permite, por exemplo, avaliar a rede de determinado plano antes de sua contratação.

Para comparar produtos disponíveis no mercado, a ANS também mantém o Guia de Planos da ANS. Essa ferramenta é diferente do guia de prestadores de uma operadora: seu objetivo é apoiar a pesquisa e comparação de planos antes da contratação ou em processos de portabilidade.

O que fazer se um prestador deixou a rede?

A composição da rede pode mudar, mas existem regras para essas alterações.

A ANS determina procedimentos específicos para substituição de prestadores. Para prestadores não hospitalares, a operadora deve divulgar a substituição em seu portal e na Central de Atendimento com antecedência de 30 dias, mantendo a informação disponível para consulta por pelo menos 180 dias.

As regras variam conforme o tipo de prestador e a situação. Por isso, se um médico, clínica ou hospital deixou de aparecer na rede, consulte a operadora antes de realizar o atendimento.

O que o médico deve conferir no próprio cadastro?

Para médicos e clínicas que já fazem parte da rede, a ferramenta também pode ser usada para conferir se as informações exibidas ao público estão corretas.

Vale verificar:

  • nome;
  • registro profissional;
  • especialidade ou serviços contratados;
  • endereço;
  • telefone;
  • site, quando aplicável;
  • planos aos quais o atendimento está vinculado.

Se houver alguma divergência, a atualização deve ser solicitada à operadora pelos canais definidos no relacionamento com prestadores.

Guia médico não substitui a análise do contrato

Para o beneficiário, o guia é uma fonte para localizar a rede disponível.

Para o prestador, ele ajuda a conferir como seus dados estão sendo apresentados, mas não informa todas as condições comerciais ou administrativas de sua relação com a operadora.

Antes de aceitar um credenciamento, médicos e gestores devem analisar o contrato, incluindo valores, reajustes, faturamento, pagamento, glosas, obrigações administrativas e condições de encerramento do vínculo.

Em resumo

O guia médico de um plano de saúde mostra quais prestadores fazem parte da rede assistencial de determinado produto. Como uma mesma operadora pode ter várias redes, a consulta precisa considerar o plano específico.

As operadoras devem divulgar informações atualizadas sobre profissionais e estabelecimentos, mas o guia não é uma tabela de honorários médicos. Valores e demais condições da prestação pertencem ao contrato entre operadora e prestador.

Ao consultar uma rede, use sempre os canais oficiais da operadora e confirme se o prestador está vinculado ao plano que será utilizado.