As maiores defasagens na área médica pública brasileira: saiba o que você enfrentará como médico

A saúde pública brasileira atravessa uma crise sem precedentes e está defasada até mesmo em relação a outros países sul-americanos, constituindo mais um desafio na carreira dos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora a Secretaria de Saúde – responsável coordenar e gerenciar o SUS – não assuma um estado de calamidade na saúde pública, este é o termo empregado por muitos especialistas e estudiosos para a situação atual em nosso país.

Pouco investimento

No ranking mundial de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil foi apenas o 125º colocado entre 191 países. Ficou atrás de países pobres ou miseráveis como Paraguai, El Salvador, Butão, Paquistão, Uzbequistão, Azerbaijão, Tonga e Iraque. Os critérios avaliados foram a eficiência, o custo por habitante e a justiça social. Grande parte deste péssimo desempenho é devido ao pouco investimento na área. O Brasil é o país que mais gasta com parlamentares no mundo e um dos que menos investem na saúde, o que é reconhecido pela própria Secretaria de Saúde.

São investidos 474 dólares por pessoa a cada ano para a saúde em nosso país, enquanto nos Estados Unidos são investidos 3.967 dólares. Para não dizer que a comparação é descabida por se tratar de um país de primeiro mundo, a Argentina, nossa vizinha, investe 852 dólares, quase o dobro do Brasil. Em média, investimos menos que a maioria dos países sul-americanos, mesmo sendo a economia mais forte do continente, e 1/8 em relação aos países de primeiro mundo. Se a comparação for com os países escandinavos, a discrepância chega a ser ainda mais assustadora: 1/10.

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A falta de investimento pela Secretaria de Saúde é causadora de mortes. No Brasil, metade dos que sofrem de infarto não chega a ser atendida, seja por falta de recursos para um diagnóstico ou por falta de recursos para um tratamento. Todos os dias pacientes morrem esperando por um atendimento nas filas dos hospitais, e há um déficit gigantesco de exames. Meio milhão de pessoas esperam por exames apenas na capital paulista, exames esses que levam de meio ano até mais de um ano para serem realizados. Há casos em que o exame pré-natal demora tanto que é marcado para depois do nascimento do filho. Embora a Secretaria de Saúde geralmente negue a existência desses problemas, eles existem e fazem parte do dia a dia da população.

Falta de equipamentos

A saúde pública no Brasil também sofre com a falta de equipamentos. Implantamos menos dispositivos, como órteses e próteses, do que qualquer outro país sul-americano. Enquanto implantamos 190 marca-passos por milhão de habitantes, a Argentina implanta 382 e o Uruguai implanta 578. Para efeitos de comparação, a Alemanha implanta 1.267. Faltam cobertores e agasalhos para cobrir todos os pacientes, faltam medicamentos, faltam marca-passos, órteses e próteses e faltam enzimas cardíacas, tomógrafos, ultrassom, cadeiras de hemodiálise e incubadoras. Para piorar, existem no SUS 37 mil equipamentos fora de uso, em função de máquinas quebradas, obsoletas ou em manutenção. E os recursos da Secretaria de Saúde são ainda insuficientes para resolver este tão grande problema.

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