Por que ignorar o DRE no consultório pode minar os seus resultados?

DRE no consultório

Lidar com as finanças do consultório é sempre uma tarefa que demanda tempo e pode assustar aqueles que não estão familiarizados com os números e códigos da área contábil. Contudo, conhecer algumas ferramentas pode ser a chave para transformar esta dificuldade em uma oportunidade de crescimento. Questões que envolvem o quanto o consultório ganha ou quanto se gastou com certa despesa podem ser respondidas mais facilmente, tornando o processo de gestão menos complicado.

E não há nenhuma mágica nisso, não! Apresentamos a você a Demonstração de Resultados no Exercício (DRE). Num primeiro momento você pode até se assustar, imaginando que não faz ideia do que é isso. Mas, calma, preparamos esse conteúdo bem descomplicado para você compreender que não precisa ter nada a temer.

 

O que é DRE no consultório?

Em termos simples, a Demonstração de Resultados no Exercício é uma ferramenta que oferece uma síntese financeira dos resultados operacionais e não-operacionais de uma empresa em certo período. É isso mesmo que você leu: empresa! Ao ver sua clínica como um negócio, você  estará mais preparado para alavancar práticas de gestão que potencializam os resultados, com o DRE mesmo.

Este é um instrumento contábil obrigatório para as empresas de acordo com a lei n° 11.638/07, publicada em 27 de dezembro de 2007. Embora sejam elaboradas anualmente para fins legais de divulgação, em geral essas demonstrações são feitas mensalmente para fins administrativos e trimestralmente para fins fiscais. Na prática, serve para mostrar se a empresa deu lucro ou prejuízo e quais os valores envolvidos.

 

Porque fazer DRE no consultório vai melhorar sua gestão?

Com as atividades do dia-a-dia, fica difícil acompanhar centavo a centavo para onde vai o dinheiro e quando ele entra. A apuração do resultado do exercício é uma ferramenta essencial, uma vez que ela permite avaliar a saúde financeira da clínica, reunindo os principais parâmetros financeiros. A vida contábil da empresa, o resultado de seus investimentos e as estratégias adotadas ao longo de um determinado período são facilmente demonstrados e visualizados através da elaboração de uma DRE, seguindo a metodologia correta.

Até por isso ele torna-se um relatório capaz de servir como apoio para a busca de um investimento, parceria ou financiamento. Além de fazer com que não seja necessária a produção e alimentação de diversas ferramentas para acompanhar o progresso financeiro do seu consultório. Reunindo todos os dados em um único lugar, ficará mais tranquilo acompanhar o passo a passo do dinheiro.

 

Como é a estrutura da DRE no consultório?

 

Como já foi mencionado, a estrutura da DRE é composta de um resumo financeiro dos resultados operacionais e não-operacionais da clínica em um período previamente estabelecido. Ela forma uma lógica de análise por etapas compreendendo o resultado bruto, o resultado operacional, o resultado não operacional e o resultado líquido. Podemos dividir a demonstração de resultado nos seguintes passos.

  • 1º passo: apurar o resultado bruto das operações. Aqui deverá ser lançada todas as receitas operacionais vindas da venda de produtos ou de serviços.

RECEITA OPERACIONAL BRUTA

  • Vendas de Produtos
  • Vendas de Mercadorias
  • Prestação de Serviços

Importante: receita não é o resultado dos recebimentos do mês, mas sim o valor resultante de todas as vendas independente se elas foram a vista ou a prazo e se foram recebidas ou não.

 

  • 2º passo: após a primeira etapa, apurar o resultado abatido de impostos. Para isso deve-se abater do resultado bruto o valor atribuído a impostos.

(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA

  • Devoluções de Vendas
  • Abatimentos
  • Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas

 

  • 3º passo: agora deve-se apurar o resultado abatido dos custos das mercadorias/serviços. Desconta-se do valor encontrado até agora o valor atribuído ao custo dos produtos e serviços.

= RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA.

(-) CUSTOS DAS VENDAS

  • Custo dos Produtos Vendidos
  • Custo das Mercadorias
  • Custo dos Serviços Prestados

Lembrando: para saber o valor do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) basta multiplicar a quantidade vendida pelo custo unitário, não importa se foram recebidos e se as mercadorias compradas foram pagas,  não importa aqui a movimentação de caixa.

 

  • 4º passo: levantar o resultado abatido das despesas operacionais. Deve-se descontar do valor encontrado na operação acima as despesas operacionais do período. Elas são as despesas administrativas e despesas com vendas.

= RESULTADO OPERACIONAL BRUTO.

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(-) DESPESAS OPERACIONAIS

  • Despesas Com Vendas
  • Despesas Administrativas

Fique atento: despesas com vendas são geralmente esforços destinados a um produto, como é o caso das comissões de vendedores. Já as despesas administrativas são todas as despesas utilizadas para que seu negócio funcione independente do fluxo de vendas como, por exemplo, o aluguel do consultório, o telefone e as despesas com contador.

 

  • 5º passo: agora é preciso abater as despesas financeiras, subtraindo-se os juros pagos e as variações monetárias e cambiais e acrescentando-se as receitas financeiras.

(-) DESPESAS FINANCEIRAS LÍQUIDAS

  • Despesas Financeiras

(-) Receitas Financeiras

  • Variações Monetárias e Cambiais Passivas

(-) Variações Monetárias e Cambiais Ativas

Importante: deve-se apurar as despesas financeiras líquidas, ou seja, subtrair as receitas das despesas.

 

  • 6º passo: depois apura-se o resultado com as variações de movimentações não operacionais. Para isso, basta acrescentar ao nosso cálculo as receitas e despesas que surgiram de outro evento que não seja a atividade principal.

OUTRAS RECEITAS E DESPESAS

  • Resultado da Equivalência Patrimonial
  • Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

(-) Custo da Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

Vale anotar: se você vender um bem como, por exemplo, um carro, esse valor deve ser anotado nessa etapa. Essa separação é muito importante para que não ocorra o que chamamos de lucro podre, pois você pode entender que houve um excedente de lucro quando na verdade houve uma baixa de um bem que se dissolveu.

 

  • 7º passo: aqui deve-se subtrair a previsão para imposto de renda e contribuição social sobre o lucro (se você é optante pelo regime simplificado, o Simples Nacional) pode pular essa etapa, deixando zerado.

= RESULTADO OPERACIONAL ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E SOBRE O LUCRO.

(-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro

 

  • 8º passo: Apurar o resultado abatido das participações (dividendos)

= LUCRO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES.

(-) Debêntures, Empregados, Participações de Administradores, Partes Beneficiárias, Fundos de Assistência e Previdência para Empregados

(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

Anote: Somente nessa etapa devem ser lançadas as retiradas (retirada não é pró-labore). Nesta se baseia para o pagamento de participação de funcionários e se for o caso de sócios e acionistas. Após todos estes passos temos, enfim, o resultado final. Com os dados levantados poderá ter um diagnóstico preciso da saúde financeira de seu consultório, avaliando se ele deu lucro ou prejuízo. Por isso, o DRE no consultório é tão importante!

Caso tenha ficado com alguma dúvida, recorrer ao seu contador de confiança é sempre a melhor alternativa para elaborar a Demonstração de Resultados do Exercício. Além disso, o conhecimento do panorama geral da empresa facilita o processo e evita erros técnicos. Deixe nos comentários abaixo sua dúvida: ela poderá ser a de outros internautas e ajudar a enriquecer ainda mais esse conteúdo!

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